Aproximações do Movimento Indígena e os conflitos socioambientais: processos de resistência e violência a partir do olhar indígena

Autores

  • Maria da Graça Luderitz Hoefel
  • Denise Osório Severo
  • Edgar Mérchan-Hamann
  • Joanice Gonçalves dos Santos
  • Tanielson Rodrigues da Silva
  • Giovana Cruz Mandulão

DOI:

https://doi.org/10.18569/tempus.v7i4.1418

Resumo

Esta pesquisa documental busca identificar e analisar – a partir do olhar indígena – os processos de resistência, organização do Movimento Indígena e violência no contexto dos conflitos socioambientais indígenas, entre 2005 e 2012, vivenciados pelos povos Atikum, Kariri-Xocó, Potiguara, Pataxó Hã-Hã-Hãe e Truká, situados na região Nordeste do Brasil. Foram analisados 90 documentos aos quais aplicouse a matriz de análise de Hoefel et al. (2011). Nota-se que as cinco etnias enfrentam conflitos socioambientais semelhantes. Os assassinatos, atentados e perseguições às lideranças indígenas representam 43% do total de formas de violência identificadas, seguida pela apropriação de terras indígenas, que alcança 36%. A luta pelo território e a luta contra a violência – especialmente os homicídios e atentados – são as duas principais bandeiras de luta identificadas. Com relação às estratégias, o estudo indica que o acionamento do poder público (Executivo, Legislativo e Judiciário), as ocupações e denúncias na mídia caracterizam-se como as estratégias centrais adotadas nos processos de luta dos povos indígenas. Observa-se que a maioria dos conflitos são travados entre os povos indígenas e os grandes proprietários de terras, sinalizando, em verdade, uma disputa entre modelos de desenvolvimento e de sociedades absolutamente distintas. Nesse sentido, ressalta-se que a priorização da produção de commodities e de grandes obras de infraestrutura tem conduzido o Brasil a um processo paradoxal que, por um lado, favorece o crescimento do PIB e, por outro, aprofunda os conflitos socioambientais indígenas, acirra a violência e induz à redução de direitos constitucionais historicamente conquistados por estes povos.

Biografia do Autor

Maria da Graça Luderitz Hoefel

Professora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Ambulatório de Saúde Indígena do HUB e um PET- Saúde Indígena da UnB.

Denise Osório Severo

Doutora em Ciências da Saúde/ Área de Saúde Coletiva (2014) pela Universidade de Brasília e Université Paris Descartes (Bolsista CAPES/PDSE); Mestre em Saúde Pública pela UFSC (2008); Especialista em Saúde Pública pela UFSC (2006); Graduada em Fisioterapia pela Universidade do Sul de Santa Catarina (2005). Pesquisadora do Laboratório de Saúde do Trabalhador e Saúde Indígena/UnB; Coordenadora Assistente do Projeto Vidas Paralelas (PVP).

Edgar Mérchan-Hamann

Professor Adjunto da Universidade de Brasília.Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Epidemiologia, atuando principalmente nos seguintes temas: HIV-AIDS, DST; Vigilância Epidemiológica; epidemiologia dos hábitos e práticas relevantes à saúde; epidemiologia da violência, do uso / dependência de substâncias psico-trópicas e saúde mental.

Joanice Gonçalves dos Santos

Estudante indígena do curso de Medicina, bolsista PIBIC Ações Afirmativas – Universidade de Brasília.

Tanielson Rodrigues da Silva

Graduando do Curso de Engenharia Florestal da Universidade de Brasilia - UnB. Estudante/Pesquisador do Projeto Vidas Paralelas Indígenas - UnB/ Saúde Coletiva. Liderança indígena do Povo Potiguara da Paraíba,

Giovana Cruz Mandulão

Estudante indígena do curso de Nutrição, bolsista PIBIC Ações Afirmativas – Universidade de Brasília.

Downloads

Publicado

2013-12-03

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

1 2 > >>