Uma antropóloga em um campus universitário da saúde
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Como Citar

FLEISCHER, S. (2011). Uma antropóloga em um campus universitário da saúde. Tempus – Actas De Saúde Coletiva, 5(2), Pág. 235–253. Recuperado de https://tempus.unb.br/index.php/tempus/article/view/978

Resumo

A área da Saúde Coletiva, no Brasil, tem primado, dentre várias coisas, pela interdisciplinaridade acadêmica e pelo investimento na formação no nível de pós-graduação. Em 2008, numa iniciativa de vanguarda e fruto da consolidação da área, a Universidade de Brasília criou o primeiro bacharelado no país em Saúde Coletiva, conhecido localmente como “Gestão em saúde”. Dentre os concursos para contratação de docentes, havia um perfil intitulado “Ciências sociais em saúde”. Preenchi os requisitos para essa vaga e fui contratada em agosto de 2008. Neste artigo, o objetivo é sistematizar as principais experiências que ali vivenciei como docente e refletir sobre a inserção e a participação de uma antropóloga em um quadro profissional interdisciplinar em saúde. Esse relato individual encontra eco e se beneficia dos vários registros já publicados por outros antropólogos com atuação na área da pós-graduação em Saúde Coletiva, mas julgo que, aqui, uma novidade é tanto o curso ser de graduação quanto o fato de que a presença dessa ciência social ter se dado desde o início do mesmo, em tarefas de bastidores (como a criação da grade curricular, definição da orientação para o trabalho de conclusão de curso, preparação de editais de contratação etc.). Para além das contribuições pedagógicas que a Antropologia pode oferecer ao exercício de descentramento do modelo biológico de saúde, foi notado como o olhar relativizador e a formação capacitada para sistematizar a memória de discussões, contextualizar e comparar argumentos, formular perguntas desnaturalizantes também têm lugar proeminente na constituição das esferas administrativa e política de uma nova faculdade.
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