Resumo
O Programa de Navegação de Pacientes (PNP) teve origem nos Estados Unidos a partir do reconhecimento de barreiras que dificultavam o acesso de mulheres negras em situação de pobreza aos serviços de saúde, especialmente no intervalo entre o diagnóstico e o início do tratamento do câncer de mama. O objetivo do programa foi reduzir tais barreiras e promover o início oportuno e efetivo do tratamento. No Brasil, além da Lei nº 14.450/2022, que instituiu o Programa Nacional de Navegação de Pacientes com Neoplasia Maligna de Mama no SUS, a Lei nº 14.758/2023, regulamentada pela Portaria GM/MS nº 6.592/2025, estabeleceu a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer e criou o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer. Essa normativa define a navegação como um acompanhamento individualizado voltado à identificação e superação de barreiras ao longo do percurso assistencial, desde a suspeita diagnóstica até a continuidade do tratamento, com apoio de profissionais navegadores responsáveis por orientar, monitorar e facilitar o acesso aos serviços de saúde. Objetivo: Analisar as evidências disponíveis na literatura científica acerca da atuação de navegadores no cuidado a pacientes com câncer de mama e identificar como a intervenção do assistente social navegador é descrita e abordada nessas publicações. Método: Foi utilizado o método Scoping Review (revisão de escopo), baseado no modelo do Joanna Briggs Institute (JBI), com busca em bases de dados como Pubmed/Medline, Lilacs, Scopus e literatura cinzenta por meio dos Periódicos da Capes e Google Acadêmico. Foram selecionados documentos que apresentavam textos completos disponíveis on-line nos idiomas português e inglês, voltados para a questão de pesquisa, com recorte temporal de 2010 a 2023. Resultados/Discussão: Após análise, doze estudos foram escolhidos para leitura na íntegra. A análise foi realizada de forma qualitativa, com categorização temática das principais contribuições e limitações identificadas nos estudos. A pesquisa sinalizou que a maioria das experiências de PNP no Brasil envolve enfermeiros como navegadores, enquanto a atuação dos assistentes sociais ainda é incipiente. Conclusão: Os resultados indicaram que há uma baixa produção científica sobre a intervenção do assistente social no PNP, por esse motivo, destacou-se a necessidade premente de mais estudos que consolidem evidências sobre a contribuição desse profissional para qualidade do cuidado, do acesso e adesão ao tratamento oncológico.

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