Resumo
A hansieníase é uma doença tropical, socialmente determinada com elevada prevalência em países como Índia, Brasil, Indonésia e o continente americano. Diretrizes clínicas são documentos que reúnem recomendações para melhorar o cuidado prestado a pacientes. Idealmente, devem ser elaborados com rigor e obedecendo o princípio da saúde baseada em evidência, de forma que estes promovam recomendações assertivas, colaborando com a qualidade do cuidado. O objetivo deste artigo é avaliar a qualidade de protocolos e diretrizes para o manejo da hanseníase. A busca por diretrizes e protocolos foi realizada em bases de dados como PubMed, Cochrane e BVS. As diretrizes foram selecionadas a partir dos critérios de inclusão e exclusão previamente definidos. Foram encontradas 20 diretrizes, e foram selecionadas as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, Brasil, Índia, Paraguai e Colômbia. Estas foram avaliadas por meio do instrumento de avaliação AGREE II que aborda a variabilidade na qualidade e na transparência de diretrizes por meio de pontuações para seis domínios (escopo e finalidade, envolvimento das partes interessadas, rigor do desenvolvimento, clareza da apresentação, aplicabilidade e independência editorial). A avaliação geral mostrou que a diretriz da OMS obteve a maior média percentual (93%) e a diretriz do Paraguai obteve a menor média (47%). As diretrizes apresentaram discrepâncias principalmente em relação ao rigor de seu desenvolvimento e a independência editorial, sendo estes achados também descritos na literatura. Logo, sugere-se melhorias em relação ao rigor metodológico na elaboração de diretrizes e na gestão de conflitos de interesses e possíveis vieses.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Tempus – Actas de Saúde Coletiva