FAKE NEWS E VACINAS NA ERA “PÓS-VERDADE”

Autores

Palavras-chave:

Fake News, Comunicação, Saúde, Vacina

Resumo

A produção e disseminação de notícias falsas, ou fake news, no campo da saúde têm crescido e comprometido a capacidade dos agentes públicos e cidadãos para atenuarem os efeitos que podem causar. De abordagem mista, este texto busca analisar os textos classificados como fake news sobre vacinação, disponibilizados pelo portal do Ministério da Saúde do Brasil, chamado “Saúde sem Fake News”. Foram selecionadas, de 24 de agosto de 2018 a 3 de setembro de 2019, onze notícias sobre vacinação, classificadas como falsas no portal, e analisadas a partir dos discursos veiculados: quatro focam em supostos efeitos adversos de vacinas, duas tratam da vacina contra HPV e as demais abordam a prevenção da febre amarela, sarampo e câncer, além de perpassarem a produção de vacinas, a efetividade das estratégias de vacinação, eventos adversos pós-vacinação, entre outras. Tais tópicos das fake news são resultado da hesitação vacinal generalizada em diferentes épocas da história sanitária do Brasil e do mundo. O impacto disso vai além da saúde individual, adentrando no perfil epidemiológico de toda uma sociedade. Considerando-se a importância que este tema possui no campo da prevenção em saúde, urge que sejamos capazes de estabelecer mecanismos de regulação sobre a produção e compartilhamento de notícias falsas.

Biografia do Autor

Liciane da Silva Costa Dresch, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Escola de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Enfermeira, Especialista em Saúde Mental Coletiva, Mestre em Psiquiatria e Doutoranda em Enfermagem (UFRGS). Docente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Metodista IPA, Porto Alegre, RS

Diogo Rocha Preto, Prefeitura Municipal de Gravataí, Gravataí, RS

Mestre em Ensino na Saúde pela UFCSPA em 2018, especialista em Saúde Pública pela UFRGS em 2015, especialista em Gestão do Trabalho e Educacao na Saúde pela UFRN em 2019, bacharel em Enfermagem pela UNISINOS em 2011. Atualmente enfermeiro, servidor público municipal na Prefeitura Municipal de Gravataí desde 2013.

Mateus Aparecido de Faria, Universidade Federal de Minas Gerais

Técnico-administrativo em Educação na Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto René Rachou/Fundação Oswaldo Cruz

Angeli do Prado Casagrande, Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul (SEDUC/RS) e Prefeitura Municipal de Fontoura Xavier, RS

Professora efetiva da rede municipal de Fontoura Xavier e da rede estadual do Rio grande do Sul. Licenciada em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI), Especialista em Educação Ambiental pela Universidade de São Paulo (UNICID) e Supervisão Escolar pelas Faculdades São Luís. Membro do Conselho Federal de Biologia sob o registro 110156/03-D.

Daniela Schmitz, Pesquisadora do Grupo Cultura e Recepção Midiática, da Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS.

Publicitária e Mestre em Ciências da Comunicação pela Unisinos. Doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS, mesma instituição em que realizou dois estágios de Pós-doutorado.

Henrique da Silva Domingues, Universidad de Jaén (Espanha)

Bacharel em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2016), Mestre em Investigación en Ciencias de la Salud (Universidad de Jaén, Espanha) e Doutorando em Cuidados Integrales y Servicios de Salud (Universidad de Jaén, Espanha)

Cristianne Maria Famer Rocha, Escola de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Departamento de Saúde Coletiva, Escola de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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Publicado

2021-04-07

Edição

Seção

ARTIGOS ORIGINAIS