Estudo de utilização de medicamentos à luz das variáveis de gênero, raça/cor e etnia em um Centro de Atenção Psicossocial do Distrito Federal, Brasil.

Autores

  • Felipe França de Oliveira
  • Muna Muhammad Odeh

DOI:

https://doi.org/10.18569/tempus.v11i3.2459

Resumo

Resumo: O presente trabalho é um relato da pesquisa realizada em um Centro de Atenção Psicossocial do Distrito Federal onde foram analisados 16 prontuários de homens entre 20 e 59 anos, grupo etário identificado pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem como sendo de maior risco de morbimortalidade no Brasil. Também tem como objetivo mostrar as relações de raça e gênero em estudos de utilização de medicamentos à luz da análise da variável raça/cor e etnia. Quantificou-se 74 medicamentos, que foram classificados segundo a ATC/DDD e foram identificados 40 riscos potenciais de interações medicamentosas (IMs) clinicamente relevantes, sendo 4 classificadas como contra indicado, 30 com risco maior e 6 com risco moderado. A média de medicamentos prescritos foi de 4,625 (DP= 1,25). Identificou-se 11 classes terapêuticas diferentes. Dos medicamentos prescritos, 4 medicamentos não constam na relação de medicamentos padronizados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, ou seja, 94,59% constam na lista de medicamentos essenciais o que mostra um bom grau de adequação à Política Nacional de Medicamentos. As classes de medicamentos mais prescritas foram os antipsicóticos, antiepilépticos e antidepressivos, 33,12 e 9 medicamentos prescritos, respectivamente. Na análise dos prontuários, não foi possível analisar dados relacionados a medicamentos prescritos por outras especialidades médicas, bem como dados referentes à automedicação. Também não foi identificado nenhum campo que indicasse o quesito raça/cor nos prontuários examinados.

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Publicado

2018-04-13

Edição

Seção

ARTIGOS ORIGINAIS