Assistência a população LGBT em uma capital brasileira: o que dizem os Agentes Comunitários de Saúde?

Autores

  • Rita de Cássia Passos Guimarães Universidade de Brasília - UNB
  • Edu Trute Cavadinha NESP - UNB
  • Ana Valéria Machado Mendonça UNB - NESP
  • Maria Fátima Sousa UNB

DOI:

https://doi.org/10.18569/tempus.v11i1.2327

Palavras-chave:

Equidade no Acesso, Política de Saúde, Sexismo, Atenção Primária à Saúde,

Resumo

O objetivo deste estudo é compreender a percepção dos Agentes Comunitários em Unidades Básicas de Saúde quanto ao atendimento integral da população LGBT. O método utilizado para analisar as entrevistas foi o Discurso do Sujeito Coletivo. Três discursos foram construídos relacionados a três ancoragens distintas que demonstram os seguintes resultados: 1. Minimização do problema, negação do preconceito e compreensão de barreiras como causadas pela própria população LGBT; 2. Negação da existência de barreiras ao acesso e qualidade; e 3. Reconhecimento da existência de preconceitos que funcionam como barreiras e da necessidade de melhor capacitação das equipes. A partir destes resultados foi possível inferir a negação do sexismo e das barreiras simbólicas, incompreensão do sentido de equidade, e o preconceito encarnado nas subjetividades destes profissionais, de forma semelhante ao que já foi encontrado em outros estudos envolvendo preconceitos e saúde, tais como de racismo institucional. No entanto, percebe-se também profissionais sensibilizados para a questão do respeito à diversidade e receptivos a processos formadores para melhor oferta de cuidado integral a população LGBT.

Biografia do Autor

Rita de Cássia Passos Guimarães, Universidade de Brasília - UNB

Doutoranda em Saúde Coletiva pela Universidade de Brasília (Departamento de Saúde Coletiva), graduada em enfermagem pela Universidade Católica de Salvador, tem especialização clínico-cirúrgica sob a forma de Residência, tendo atuado durante muitos anos em assistência intensiva e hospitalar, migrando para as áreas de promoção e prevenção da saúde e pesquisa em saúde coletiva. No campo das Artes, tem curso técnico em interpretação teatral e Mestrado em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (nota 6 CAPES), com interesse especial pelo gênero trágico. Seus estudos e pesquisas atuais concentram-se na área de Saúde Coletiva, Pesquisa Qualitativa, Gênero e Saúde e no uso da dramatização como ferramenta para potencializar programas de Comunicação e Educação em Saúde.

Edu Trute Cavadinha, NESP - UNB

O coautor Edu Turte Cavadinha é doutor em Ciências (Saúde Pública) pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo - Faculdade de Saúde Pública, possui graduação em Enfermagem pela Universidade de Pernambuco. Concluiu o Mestrado em Enfermagem pela Universidade Federal do Paraná - UFPR em 2008 e atualmente é pesquisador do Núcleo de Estudos de Saúde Publica (NESP), coordenador do Observatório Nacional de Saúde LGBT e professor voluntário do Departamento de Saúde Coletiva da UNB.

Ana Valéria Machado Mendonça, UNB - NESP

A coautora Ana Valéria Machado Mendonça é professora adjunta IV do Departamento de Saúde Coletiva, da Universidade de Brasília (UnB). Pós doutora em Comunicação em Saúde, pelo Centre de Recherche sur la Communication et la Santé (ComSanté), da Université du Québec à Montréal (UQAM). Possui doutorado em Ciência da Informação pela UnB, mestrado em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialização em Administração da Comunicação Empresarial e graduação em Jornalismo e Relações Públicas. Atualmente é coordenadora do Mestrado Profissional em Saúde Coletiva e do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da UnB (NESP/CEAM/UnB) e líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Informação em Comunicação em Saúde Coletiva (CNPq-Brasil).

Maria Fátima Sousa, UNB

E a coautora Maria Fátima de Souza é Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB (2014), com pós doutorado realizado em 2015 pelo Centre de Recherche sur la Communication et la Santé (ComSanté), da Université du Québec à Montréal (UQAM). Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília-UnB, mestre em Ciências Sociais pela UFPB, especialista em Saúde Coletiva e graduada em Enfermagem pela UFPB (1986). Professora adjunta IV do Departamento de Saúde Coletiva, da Faculdade de Ciências da Saúde, onde atualmente é diretora da Faculdade de Ciências da Saúde (2014-2018).

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Publicado

2017-11-13

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