A sexualidade como parte do cuidado integral à saúde dos moradores das residências terapêuticas de Aracaju-SE
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Palavras-chave

Sexualidade
integralidade em saúde
transtornos mentais.

Como Citar

Figueiredo, J. M. de A., & Barros, L. de M. (2025). A sexualidade como parte do cuidado integral à saúde dos moradores das residências terapêuticas de Aracaju-SE. Tempus – Actas De Saúde Coletiva, 13(4), 43–50. https://doi.org/10.18569/tempus.v10i4.2307

Resumo

A negação do exercício da sexualidade às pessoas com transtornos mentais pode comprometer o cuidado integral em saúde conforme propõe a política de saúde mental brasileira. Destarte, realizamos o presente estudo com o objetivo de compreender a relação entre sexualidade e o cuidado integral à saúde dos moradores de uma residência terapêutica (RT) de Aracaju-SE. Tratou-se de uma pesquisa qualitativa na qual foi utilizada a análise textual discursiva como técnica de análise de dados. Os mesmos foram produzidos em um primeiro momento a partir de entrevistas semiestruturadas com colaboradores da Rede de Atenção Psicossocial (REAPS) do referido município. No segundo momento ocorreu uma oficina de desenho com os moradores. Os principais resultados apontaram que dentre as expressões sexuais dos moradores das RT, a masturbação era mais frequente e foi associada à abstinência de sexo em decorrência da socialização restrita. Ademais, que já foram realizadas práticas que visavam a garantia ao exercício da sexualidade nas residências e os participantes avaliaram estas experiências como positivas e relacionaram a prática sexual à melhora das condições gerais de saúde. Por fim, sugerimos que as ações de promoção da saúde e da vivência da sexualidade que já foram desenvolvidas nas RT sejam potencializadas e pretendemos com esta pesquisa colaborar com a construção de estratégias de atenção às pessoas com transtornos mentais que contemplem a sexualidade, a partir de um modelo assistencial que torne as experiências sexuais dos sujeitos parte do cuidado na saúde mental legitimando a condição humana dos envolvidos.
https://doi.org/10.18569/tempus.v10i4.2307
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