Estatística Espacial Aplicada aos Estudos de Incidência de Câncer

Autores

  • Jane Kelly Oliveira Friestino Faculdade de Ciências Médicas Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS/ Campus Chapecó - Santa Catarina. Brasil http://orcid.org/0000-0002-5432-9560
  • Denisa Mendonça ISPUP-EPIUnit - Instituto de Saúde Pública, Universidade do Porto, Porto, Portugal. ICBAS - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto, Porto, Portugal. http://orcid.org/0000-0003-4835-8944
  • Pedro Oliveira Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - ICBAS. Universidade do Porto. Portugal. Instituto de Saúde Pública - ISPUP. Universidade do Porto. Portugal. http://orcid.org/0000-0002-2470-0795
  • Carla M. Oliveira i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Universidade do Porto, Portugal INEB - Instituto de Engenharia Biomédica, Universidade do Porto, Portugal ESTSP/IPP - Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto, Instituto Politécnico do Porto, Portugal
  • Rosemeire de Olanda Ferraz Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
  • Djalma de Carvalho Moreira Filho Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

DOI:

https://doi.org/10.18569/tempus.v10i2.1772

Palavras-chave:

Análise Espacial, Incidência, Câncer, Mapeamento Geográfico

Resumo

O Sistema de Informação Geográfica (SIG) como ferramenta em estudos epidemiológicos tem se tornado algo frequente na área da Saúde Coletiva. Em estudos sobre incidência de câncer, o uso da análise espacial ainda é incipiente no país, entretanto possuí grande potencial para auxílio nos modelos de planejamento em saúde. O objetivo deste trabalho é apresentar um método empírico de análise de padrões espaciais para os casos de incidência de cânceres considerados raros que acometem a população com idades entre 0 e 19 anos, discutindo a aplicabilidade da estatística espacial e as possíveis utilizações da interpretação da disposição espacial dos eventos. Utilizou-se o SIG para georreferenciar as taxas de incidências de casos de cânceres de alguns grupos da Classificação Internacional de Câncer Infantil (CICI), ajustadas por idade e sexo, segundo os Centros de Saúde de suas residências. Foram estimadas as razões padronizadas de incidência (Standardized Morbidity Ratio-SMR). Para controlar a instabilidade das taxas devido ao pequeno número de casos, foi feita uma suavização pelo método Empirical Bayes. Comparando as taxas anuais, suavizadas pelo referido método Bayesiano, constatou-se diferenças entre elas quanto à distribuição espacial, com concentração destas nas regiões Sudoeste e Noroeste do município de Campinas. Conclui-se que o uso de estatística espacial como ferramenta de apoio à decisão, permite identificar a distribuição de casos de cânceres do grupo da CICI, contribuindo para o planejamento em saúde.

Biografia do Autor

Jane Kelly Oliveira Friestino, Faculdade de Ciências Médicas Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS/ Campus Chapecó - Santa Catarina. Brasil

Enfermeira. Doutora em Saúde Coletiva área de Epidemiologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Profa. Adjunta do Curso de Graduação em Medicina da Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS/ Campus Chapecó - Santa Catarina. Brasil

Denisa Mendonça, ISPUP-EPIUnit - Instituto de Saúde Pública, Universidade do Porto, Porto, Portugal. ICBAS - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto, Porto, Portugal.

Profa Dra. Associada. Departamento de Estudos de Populações - ICBAS e EPIUnit - ISPUP. Universidade do Porto. Portugal

Pedro Oliveira, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - ICBAS. Universidade do Porto. Portugal. Instituto de Saúde Pública - ISPUP. Universidade do Porto. Portugal.

Prof. Dr. Associado com agregação. Departamento de Estudos de Populações - ICBAS e EPIUnit - ISPUP. Universidade do Porto. Portugal

Carla M. Oliveira, i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Universidade do Porto, Portugal INEB - Instituto de Engenharia Biomédica, Universidade do Porto, Portugal ESTSP/IPP - Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto, Instituto Politécnico do Porto, Portugal

Doutora em Saúde Pública. Pesquisadora na Universidade do Porto e Professora na Escola Superior Tecnológica da Saúde do Porto ESTSP

Rosemeire de Olanda Ferraz, Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

Estatística. Mestre em Estatística e Doutora em Saúde Coletiva área de Epidemiologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Brasil

Djalma de Carvalho Moreira Filho, Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

Prof. Dr. do Departamento de Saúde Coletiva Faculdade de Ciências Médicas Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Brasil

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Publicado

2016-07-07