E no começo era o ermo? o passado ainda presente da colonização de Brasília.

Autores

  • Rafael Moreira Serra da Silva
  • Christian Ferreira Crevels

DOI:

https://doi.org/10.18569/tempus.v6i1.1103

Resumo

“No princípio era o ermo”. Assim escreveram Tom Jobim e Vinícius de Moraes na letra da música “Brasília, Sinfonia da Alvorada”, dedicada à construção da capital. Questionamos nesse artigo tal ponto de vista, longe de ser um “infinito descampado”, em que “não havia ninguém”, a região já contava com uma longa história de ocupação humana. A inverossimilhança de tais pressupostos constrói no presente um discurso desistoricizante de tudo que não corrobora essa visão reducionista. Isso se manifesta de forma contundente no conflito em curso entre uma comunidade indígena residente no perímetro urbano da cidade e grandes empreiteiras aliadas ao governo do Distrito Federal, no tocante ao projeto de um novo bairro: o Setor Noroeste. Situamos essa disputa como uma continuação de um longo trajeto colonial mascarado em um discurso modernizante vazio de sentido histórico, que perpetua e legitima antigas práticas de limpeza étnica advindas desde o período dos colonizadores.

Publicado

2012-03-30

Como Citar

Silva, R. M. S. da, & Crevels, C. F. (2012). E no começo era o ermo? o passado ainda presente da colonização de Brasília. Tempus – Actas De Saúde Coletiva, 6(1), pag. 121-133. https://doi.org/10.18569/tempus.v6i1.1103

Edição

Seção

ARTIGOS ORIGINAIS